História da Cidade de Salvador

De uma economia agroexportadora ao desenvolvimento atual do turismo e do município.
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Por volta do ano 1000, os índios tapuia que habitavam a região da atual Salvador foram expulsos para o interior do continente por povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus, a região foi habitada por um dos povos tupis, os tupinambás.

A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial, com a 1ª visita dos portugueses em 1501 e a denominação da Baía de Todos os Santos. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo.

Nasce a destinação Salvador da Bahia. 

Com a descoberta do pau-brasil, valorizado na Europa como pau de tinta e disputado por contrabandistas, piratas, comerciantes portugueses e navegadores de outras nações, o rei de Portugal, D. João III percebeu que era necessário ocupar, colonizar e explorar sua colônia através, principalmente, da agricultura.

Várias expedições Exploradoras e de Guarda Costa, são enviadas ao Brasil para o reconhecimento cartográfico das áreas litorâneas de norte a sul, com a finalidade de averiguar a fragilidade defensiva, além do levantamento a respeito da existência de metais preciosos.

Em janeiro de 1531 chega a expedição de Martim Afonso de Souza com o principal objetivo de explorar a recém-descoberta colônia. A expedição era composta por cerca de 400 colonos e tripulantes, que trouxeram sementes de cana-de-açúcar, instrumentos agrícolas, mudas de plantas e animais domesticados.

Eram grandes as quantidades de mercadorias contrabandeadas e crescentes as investidas de piratas e contrabandistas de outras nações nas terras da colônia.

Em 1532, foram apreendidas em Málaga, Espanha, mercadorias contrabandeadas pelos franceses em terras brasileiras:

Quinze mil toras de pau brasil, três mil peles de onça, seiscentos papagaios e mil e oitocentas toneladas de algodão, além de óleos medicinais, pimenta, sementes de algodão e amostra de minerais (BUENO,1999,p.8).

No que tange ao aspecto defensivo, o reduzido número de colonos e a sua fragilidade defensiva ante a ação dos inimigos eminentes, exigiam alterações no princípio defensivo local, visto que o contingente militar se tornara insignificante com o passar do tempo. (MAURO, 1985, p.218).

Assim, o rei Dom João III adotou novas medidas para viabilizar o processo de povoamento e colonização, através da doação de lotes e de terras, com o intuito de fomentar núcleos populacionais ao longo do litoral, sob a administração de particulares: o sistema de Capitanias Hereditárias.

A costa brasileira foi dividida em quinze faixas de terras administradas por donatários. Segundo Tavares (2001, p.81), “a decisão de D. João III apoiou-se em opiniões de alguns dos seus conselheiros e nos requerimentos de candidatos a capitanias nas terras do Brasil. Em 1534, ele assinou as primeiras cartas de doação”. Os donatários dispunham de amplas extensões de terras e possuíam grandes poderes, dentre eles: nomeavam autoridades administrativas e judiciárias, recebiam taxas e impostos, escravizavam e vendiam índios, fundavam vilas, cobravam tributos pela navegação dos rios etc.

Em 1536, chegou à região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu do Rei Dom João III a capitania hereditária da Baía de Todos os Santos, região que viria ser o Estado da Bahia. Fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha. 

 
O donatário Coutinho não era muito benquisto. Foi morto e devorado pelos Tupinambás. Possuía caráter impetuoso e temperamental, além de falta de habilidade política e administrativa com os índios e colonos europeus que viviam sob a liderança de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que já estava aqui quando chegaram o governador e os primeiros colonos. 
 
Caramuru foi um jovem náufrago português que “deu na praia” por volta de 1510, caiu nas graças dos nativos, casou-se com uma filha do chefe Tupinambá, estabeleceu-se e tornou-se um pioneiro no comércio ultramarino do pau brasil, em especial com os franceses, formando a primeira família registrada do Brasil, com a india Paraguaçu.
 
Antes das capitanias existiam organizações de mercadores residentes num mesmo local, visando defender os interesses dos colonizadores, prioritariamente econômicos. Eram as feitorias, arraiais entrincheirados que funcionavam como fortins, localizados em pontos estratégicos ao longo do litoral.
 
Com o tempo, constatou-se que essas feitorias, enquanto espaço para o armazenamento do pau brasil e de outras especiarias, não eram os locais mais apropriados em termos militares e econômicos, visto a necessidade de abastecer a constante demanda de água e alimento das expedições.
As capitanias hereditárias tiveram problemas de toda ordem, climáticos, ataques dos índios, epidemias, falta de recursos de donatários, desinteresse (alguns nem aqui vieram), para a exploração da terra,  o que levou a não acontecer à esperada exploração e desenvolvimento do Brasil. 
Em 1548 o rei nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o 1º Governador Geral do Brasil e fundar, às margens da baía, a primeira metrópole portuguesa nas Américas. Entregou-lhe ainda a primeira constituição do Brasil e as diretrizes para a construção de Salvador, que se tornou uma das principais cidades da América. 
 
Em 29 de Março de 1549, Thomé de Souza e a armada portuguesa aportavam na Vila Velha, hoje Porto da Barra, onde se encontra o Marco da Fundação da Cidade. 
 
Alguns meses depois, com as primeiras casas e arruamentos construídos, era fundada oficialmente por Thomé de Souza a cidade de São Salvador da Baía de Todos os Santos, que passou a desempenhar um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.
 
Após Tomé de Sousa, Duarte da Costa foi o 2º governador-geral. Chegou em 13 de Julho de 1553, trazendo 260 pessoas, entre elas o filho Álvaro, padres jesuítas (destacando-se José de Anchieta) dezenas de órfãs para tornarem-se esposas de colonos. Mem de Sá, terceiro governador-geral, que governou de 1554 até 1572, muito contribuiu com uma grande administração.
 
O Brasil se tornou um grande produtor de açúcar nos séculos XVI e XVII. As principais regiões açucareiras inicialmente eram Pernambuco, Bahia e São Paulo. 
 
Berço da civilização colonial lusa nas Américas, Salvador foi até a metade do Séc. XVIII, a maior cidade e maior porto estaleiro e exportador do Hemisfério Sul, de onde era enviado o açúcar às metrópoles europeias. 
 
Devido à facilidade dos ventos passou a ser parada obrigatória dos navegadores que faziam o Caminho das Índias pelo sul da África. A vida da cidade girava em torno do porto, por onde circulavam caravelas, naus de todas as bandeiras, saveiros, mercadorias das índias, novidades da Europa, especiarias e toda a sorte de  produtos e indivíduos.
 
Nos tempos do rei de Espanha Filipe II, a exploração das minas de prata da América espanhola havia atingido o seu apogeu. A Espanha se transformara na mais poderosa nação europeia. O seu poderio econômico e intolerância religiosa possibilitou uma agressiva política internacional que resultou na anexação de Portugal e na independência da Holanda, esta até então possessão espanhola.
Assim, a partir de 1580, o rei da Espanha passou a ser, ao mesmo tempo rei de Portugal, dando origem a “União Ibérica” até 1640, quando Portugal recobrou sua independência.
 
Os Países Baixos, (atuais Bélgica, Holanda e parte do norte da França) eram uma poderosa burguesia mercantil, uma das mais progressistas da Europa, formada pelas possessões dos Habsburgos, que tinham grande autonomia no rei¬nado de Carlos V, pai de Filipe II. Essa situação se alterou profundamente com a ascensão de Filipe II, que herdou do pai o trono espanhol e os Países Baixos. 
 
Em 1621, os holandeses constituíram a Companhia das Índias Ocidentais que passou a monopolizar o tráfico de escravos, a navegação e o comércio na América e na África por 24 anos.
 
Prejudicada em seus negócios no Atlântico, pelo domínio espanhol sobre Portugal, a Companhia das Índias Ocidentais invadiu a cidade de Salvador em 1624. O objetivo holandês era restabelecer o comércio do açúcar entre o Brasil e Holanda, proibido pela Espanha após a União Ibérica.
 
Em 1625, Salvador foi retomada por uma  armada luso-espanhola de mais de 50 navios. Outras tentativas de invasão dos holandeses na Bahia não foram bem sucedidas.
 
Salvador ponto mais concorrido da costa brasileira, muito também por conta do lucrativo tráfico de escravos africanos, desde a sua fundação, em 1549 até 1850, com o fim do trafico negreiro no início do século XIX a sua população de escravos e de afro - descendentes já se constituía em maioria. 
 
Pelo Porto de Salvador, a Bahia exportava açúcar, fumo, café, algodão, diamante, couro e madeiras. Importava tecidos de algodão, linho, lã e seda, vinhos, azeite, drogas e medicamentos, farinha de trigo, carvão de pedra, ferragens, calçados, bacalhau e peixes em conservas. 
 
Ainda no Séc. XVIII colonos instalaram-se no atual bairro de Itapuã - chamada inicialmente de Vila Velha dos Caboclos e posteriormente Aldeia dos Franceses e Fazenda de Itapuã - vivendo da pesca da baleia, também chamada de pirapuama.  Por volta de 1770, a cidade de Salvador era iluminada com óleo retirado das baleias, que era também exportado para a Inglaterra, Espanha e Portugal.
 
A história econômica da Bahia tem sua primeira parte numa economia primária exportadora que vai do Século XVI até 1970. 
No final do século XIX, o fumo chegou a ser o principal produto de exportação. De 1895 a 1925, os principais produtos de exportação da Bahia eram o açúcar, o café, o fumo, o cacau e o algodão. O açúcar que era o principal produto de exportação da Bahia cedeu seu lugar para o café, o fumo e o cacau, que alcançou em 1925 a liderança entre os produtos de exportação da Bahia.
 
Com o declínio da base agroexportadora e a concentração industrial no centro-sul, Salvador experimentou um longo período de estagnação econômica e populacional. Essa estagnação só começa a ser superada nos anos 50, com a descoberta e exploração de petróleo no Recôncavo baiano – região no entorno da Baía de Todos os Santos - responsável, por muitos anos, pela maior parte da produção nacional.
 
Um segundo período, de 1970 em diante, de uma economia voltada para o setor da indústria e do comércio, serviços e turismo, principais atividades econômicas da cidade de Salvador, desde a sua fundação. 
 

A década de 1970 marca o início da efetiva metropolização de Salvador, com a implantação de polos industriais em municípios do seu entorno e a criação da Região Metropolitana de Salvador (RMS) em 1973.

As transformações começam com a integração ao mercado nacional, por via rodoviária, a implantação da indústria petroquímica, ampliada pela metalurgia do cobre, pela indústria de celulose e, mais recentemente, pela indústria automobilística (instalação da Ford Nordeste em 2001), que impulsionaram o setor terciário, destacando-se o turismo.

De acordo com o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, de 1970 a 1990, o PIB de Salvador e região metropolitana, cresceu a taxas superiores às verificadas nas duas principais metrópoles do país, São Paulo e Rio de Janeiro. 

 
Em 1954, o primeiro Plano Diretor de Turismo colocou Salvador na condição de primeira cidade brasileira a elaborar uma política turística orientada e oficializada.  
 
O turismo como atividade de interesse estratégico para a economia começou a desenvolver-se em Salvador a partir da década de 70.
 
A Bahia deu seus primeiros passos no sentido de execução e desenvolvimento do turismo, a partir do Plano de Turismo do Recôncavo, que foi concluído no ano de 1970 e indicava rumos para uma política estadual de turismo visando o desenvolvimento econômico e social da Bahia. 
 
O grande impulso para o turismo foi a criação da Bahiatursa em 1968 -  inicialmente Hotéis de Turismo do Estado da Bahia S/A - para construir e estimular a construção ou adaptação de hotéis e pousadas de interesse turístico. Em 1973, foi transformada em Bahiatursa- Empresa de Turismo da Bahia S/A, responsável também pelas grandes políticas, estratégias e programas para o setor, em especial a estratégia de promoção. O governo passou a tratar o turismo como uma de suas prioridades. 
 
Em 1971, foram criados o Conselho Estadual de Turismo e a Coordenação de Fomento ao Turismo. Os objetivos gerais voltavam-se para a preservação e valorização do patrimônio histórico, artístico, cultural e natural da Bahia como elementos essenciais na qualificação do produto, gerando emprego, renda e impostos.
 
A ampliação e a modernização da infraestrutura hoteleira em Salvador, motivada inicialmente pela nova classe social que surgia com a indústria, representava um impulso muito grande para o turismo na velha capital.
 
Em 1972 Salvador contava com apenas três hotéis importantes. Em quatro anos, cerca de dois mil novos leitos já eram de categoria cinco estrelas e mais de 35% da oferta total, alcançava categorias superiores três estrelas.
 
Em 1976 foi criada a Emtur – Empreendimentos Turísticos da Bahia S/A, subsidiária da Bahiatursa e no ano seguinte, o Conbahia – Centro de Convenções da Bahia S/A. Em 1979, foi inaugurado o Centro de Convenções.
 

 Começa a promoção da Bahia em vários eventos de turismo, feiras e exposições no Brasil e exterior, ações de exposição do destino na mídia nacional e internacional. 

A Bahia já era conhecida pela obra de Jorge Amado e pela música de Dorival Caymmi, que cantava os costumes e tradições da sua terra. Depois também com João Gilberto, o precursor da Bossa Nova e pelo mineiro Ari Barroso, que compôs a música que chama a Bahia de “terra da felicidade”.
 
De 1979 a 1986, o turismo da Bahia se fez presente em muitos eventos nacionais e no exterior. A partir de 1991, Salvador aparecia em 80% dos catálogos das operadoras que traziam turistas para o Brasil e assume a liderança nacional como destinação de cruzeiros marítimos.
 
Na década de 80, é realizado o projeto de valorização da orla marítima, com a duplicação da Av. Otávio Mangabeira. Grandes investimentos no setor de habitação e turismo redirecionam o crescimento da cidade de Salvador na direção nordeste, ampliando diversos bairros ao longo da faixa costeira, atingindo áreas próximas às praias de Itapuã.
 
Começa a ser desenvolvido o Programa de Desenvolvimento Turístico da Bahia – PRODETUR, um projeto de 1991 a 2006, com recursos do tesouro estadual, BID, BIRD / Banco Mundial, BNDES, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e outras agências internacionais de financiamento. Era um programa inicialmente voltado para a instalação de centros turísticos e ampliação e modernização de infraestrutura promovendo o desenvolvimento sustentável, a valorização dos atrativos históricos e naturais e os estímulos aos investimentos privados. 
 
Também nessa década o conjunto arquitetônico do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador é restaurando e revitalizado e foram implantados os parques de Pituaçú, Abaeté, Costa Azul e Dique do Tororó, mais opções de entretenimento, que passaram a sediar eventos diversos.  
 
A cidade de Salvador / Algumas informações e números

Salvador hoje é a terceira cidade em população e também terceira destinação turística do Brasil, depois do Rio de Janeiro e São Paulo. A cidade, seu aeroporto e porto marítimo desempenham um papel fundamental na economia do Brasil, fornecendo serviços comerciais para muitas regiões.  

Possui dezenas de faculdades, universidades, centros de pesquisa e centenas de colégios, escolas e cursos profissionalizantes estaduais e municipais. Possui agências de quase todos os grandes bancos do país e cerca de 20 agências de câmbio registradas. 
A infraestrutura turística de Salvador é considerada das mais modernas. A cidade oferece acomodação para todos os gostos e padrões, desde albergues a hotéis  internacionais. Salvador dispõe de 414 meios de hospedagem e quase 40 mil leitos.
Em 2014 o Aeroporto Internacional Deputado Luiz Eduardo Magalhães movimentou quase 10 milhões de passageiros.
 
A previsão de cruzeiros marítimos 2014 / 2015 indicava a atracação de 72 navios no Porto de Salvador.
 

Da cidade de Salvador partem as Rodovias Federais BR-110, BR-116 e BR-324. A partir delas outras Rodovias Federais fazem ligação do estado da Bahia às principais cidades do país. 

População estimada (2014)

2.902.927

Área da unidade territorial (km²)

692,819

Densidade demográfica (hab/km²)

3.859,44

Código de Município

2927408

Prefeito ANTONIO CARLOS PEIXOTO DE MAGALHÃES NETO

Fonte: IBGE